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Ainda Dormindo

Por Artur Eduardo

 

Observar o cotidiano é algo que sempre me atraiu. Independentemente das circunstâncias, sempre fui uma pessoa observadora, não no intuito de bisbilhotagem (quem me conhece sabe que odeio bisbilhotagem), mas aprecio ver as formas como lidamos com as situações, das mais triviais às mais complicadas. O moderno cristianismo, com seus muitos chavões, tem produzido uma enorme gama de auto-proclamados sábios, cuja sabedoria, contudo, consiste muito mais em desenvolver formas cínicas de dizer, de algum modo, que discordam, rejeitam ou abominam algo. Observo, com acuidade, o quanto pensamos que estamos crescendo na fé, quando muito tornamo-nos pérfidas e mal-feitas cópias de outros auto-proclamados intelectuais que tanto têm se proliferado no mundo, principalmente desde fins da decadente Era Moderna.

As redes sociais contribuíram como nunca para este fenômeno, pois no Facebook, por exemplo, todo mundo é um “filósofo”. Alguns não acham que são, têm certeza! Contudo, sua “filosofia” consiste apenas em, além de replicar o evangeliquês no qual ninguém mais acredita (nem os que os replicam), também e meramente posicionarem-se apaixonadamente em questões sobre as quais não compreendem bem nem as implicações do que falam, nem os mais imediatos desdobramentos. Ora, e se me refiro aos evangelicais, é claro que especifico aqui os diversos assuntos teológicos, os quais nós gostamos de expor nas mídias sociais.

Aliado das colocações sem graça, que, além de servirem de material ácido para as opiniões divergentes, também serve de combustão para (super) egos em confluência, é notória a insegurança da própria falta de opiniões, uma vez que estas, quando existem, fortalecem-se pelos que “gritam” apenas pelo medo de perderem a segurança do grupo em que estão inseridos, seu status quo, que nem é lá essas coisas. Como isso se tornou muito mais importante do que quaisquer simples preceitos de Cristo acerca dos relacionamentos humanos, encontramo-nos num estado caótico de vozes vazias, cheias apenas de si mesmas, e isto para não as chamarmos de covardes, pois não produzem, mas ecoam… e – como tenho dito e mostrado -, algo tão insistentemente inócuo, que os “de fora” que nos leem, acompanham e aqueles que se prestam também a exame mais minucioso do escrutínio evangelical de nossos dias, percebem que muita coisa em nosso meio virou caso psiquiátrico.

Canso-me de ver, em meio a tantos gritos vazios, uma tentativa velada mas extremamente contundente de se tentar confundir o “bom mocismo” (o pragma do “politicamente correto”) com a genuína espiritualidade cristã. E digo que esse fenômeno é centrífugo, ou seja, é “de dentro para fora”. Muitos de nós, evangelicais, temos produzido isso a uma velocidade que causa inveja aos mais fanáticos proponentes dos ecorreligiosos, defensores da “causa gay” e militantes esquerdopatas. Ecoando textos, frases, pensamentos em contextos de discussões que não querem dizer absolutamente nada e que nada trazem de contributo aos que leem, poluímos as redes sociais com abobrinhas, para, depois, cinicamente afirmarmos que “a rede social serve para isso ou não serve para aquilo”, como se alguém nos tivesse ungido “gurus da Internet”. Infelizmente, a espiritualidade a que descemos, muitos de nós, é a da pura belicosidade partidária teológica, ou meramente moralista, quando não é a da contradição, da esquizofrenia gospel que, ao passo que tem “adoradores mais do que extravagantes”, tem os mesmos “adoradores mais do que extravagantes” cinicamente carnais, mentirosos, desafeiçoados, insensíveis, hipócritas ao extremo, desonrosos, com histórias aqui e acolá de uma sordidez, de um vexame e escândalo que fariam corar os recentes reis das baladas das casas noturnas.

É por isso que, em muitos outros segmentos, o evangelicalismo (local ou nacional) é sinônimo de piada, na melhor das hipóteses. A partir do momento em que “gurus” gospel são aqueles que, aberta e claramente, condenam o que praticam, então não há mais para onde ir: chegamos ao fundo do poço, e não é um lugar bonito de se estar! Desdobramentos imediatos: “grupos”. Grupos entrelaçam-se sob a bandeira de um mesmo discurso, para, ao menos, sentirem que algo faz sentido. Então temos grupos de “espirituais conselheiros”; outros, de “ainda mais espirituais conselheiros”; outros, intelectualóides, outros nonsense total e os que, para evitarem quaisquer confrontos ou caras-feias, bicos, birras e testas franzidas, só falam em praias, hotéis, restaurantes, festas, bares, comidas e outras coisas inúteis. Enquanto isso, quem se converte de verdade (por milagre divino), percebe com uma facilidade cada vez mais rápida que, humanamente falando, ele não sabe bem onde entrou, que há vários “grupos” lhe chamando e que o que lhe parecia lúcido tornou-se difuso, e, agora, completamente confuso. Não lhe restarão muitas outras opções a seguir, salvo uma forte disciplina de buscar avivadamente, na Palavra de Deus e no próprio Deus, as respostas às questões que sua alma carrega consigo. A maioria, penso eu, infelizmente, naufraga ainda no barco, como se tivesse despertado de um “sono de morte” para pouco depois voltar a “dormir”…só que agora, um “sono de vida”, através da fria e irreconciliável capa da religião.

O alerta à espiritualidade cristã genuína permanece. Que ecoe em nós e, consequentemente, em nossos relacionamentos, não as palavras vazias de pessoas infladas de si, mas as verdades atemporais prescritas na Escritura, como estas, a seguir:

Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; porque vós mesmos sabeis muito bem que o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite. Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda como um ladrão; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam embebedam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor e tendo por capacete a esperança da salvação. Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele. Pelo que exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis“. 1 Ts. 5:1-11.

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